segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sociedade e Religião II = “Globalização – Ciência, Cultura e Religiões




Globalização e Religiões


Abordar o tema do papel das religiões no fenómeno da globalização, é acentuar a importância da cultura neste processo de unificação da humanidade como uma única família humana. Não quero, com isto, significar, que a religião se identifica com a cultura, mas verificar a importância decisiva das religiões no caldear das culturas, introduzindo-lhe uma componente decisiva: a referência do homem ao transcendente.
A importância da mediatização do mundo contemporâneo no processo da globalização acentuaria, em princípio, a importância decisiva da cultura nesse processo. Como tudo na história, também o processo de globalização é dialéctico. A humanidade está hoje perante um dilema: ser avassalada por uma globalização mecanicista, ao ritmo dos mercados e da assimetria dos processos económicos e dos ritmos de desenvolvimento, com acentuação das clivagens e das injustiças, ou lutar por uma globalização com sentido, cujo ritmo seja marcado pelas culturas. A globalização só significará um progresso qualitativo da humanidade, se a dimensão cultural lhe marcar o ritmo e desvelar o sentido. Não haverá globalização digna do homem sem primazia da cultura; nenhuma cultura será capaz de garantir o sentido positivo da globalização, se não valorizar o factor religioso.
Dada a pluralidade e especificidade das diversas culturas e religiões, um dinamismo se revela essencial no processo de globalização: o do diálogo inter-cultural e inter-religioso. É uma perspectiva que faz, timidamente, o seu caminho vencendo obstáculos aparentemente intransponíveis: a dimensão étnica das culturas e das religiões; a identidade dos povos ligada às tradições culturais e religiosas; o carácter irredutível da dimensão dogmática das religiões e das culturas; as tentações sincretistas, que geram mecanismos de defesa e afirmações fundamentalistas; o desvirtuar da pureza das religiões, manipulando-as para objectivos políticos ou económicos.
Mas nenhuma destas dificuldades pode impedir o diálogo, que terá por base o respeito e o conhecimento mútuos, na valorização de valores comuns. Ao nível da dimensão ética que tece o sentido do homem e da história, vai-se decantando uma espécie de “universal humano”, que sublinhará a relação entre religião, cultura e criação, frente ao qual cada religião é chamada a um aprofundamento que lhe alargue o horizonte e busque a radicalidade. A construção deste “universal humano” não se fará à custa de sincretismos descaracterizantes, mas sim do reconhecimento mútuo de valores fundamentais.
O processo da globalização é também um dinamismo de mutação cultural e o diálogo inter-religioso é um bom caminho para as religiões entrarem nesse processo de transformação das culturas.

Um outro elemento, interessante de analisar, no processo de globalização: a relação entre esta e a busca da universalidade. O sentido da universalidade está presente nas grandes religiões do mundo. Eu tenderia mesmo a considerá-lo constitutivo da autêntica religião. Quando uma fé religiosa se considera decisiva para o destino do homem, é natural que ela se considere decisiva para todos os homens. É, aliás, este dinamismo de universalidade, que fundamenta o sentido de missão e de anúncio da própria fé.
No judeo-cristianismo, tradição religiosa que conheço melhor, esta dimensão de universalidade é constitutiva da própria fé. Já no Génesis Deus celebra com Noé uma Aliança com toda a Humanidade e o arco-íris será o seu sinal (cf. Gen. 9,8-17). O Profeta Isaías proclamará a vocação de universalidade da fé de Israel: “Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do Templo do Senhor se há-de erguer no alto das montanhas e ficará acima das colinas. Ali acorrerão todas as nações, ali irão ter povos sem número” (Is. 2,2-3). E as últimas palavras de Jesus aos seus Apóstolos sublinham a universalidade da salvação que Ele realizou: “Ide e de todas as nações fazei discípulos” (Mt. 28,19).
Este sentido de universalidade religiosa pode ter grande importância no processo cultural da globalização, pois trata-se de um dinamismo de igualdade fundamental de todos os homens, porque toda a verdadeira mensagem religiosa é um anúncio de salvação e de fraternidade, na construção da harmonia, da justiça e da paz. Mas também este dinamismo de universalidade encontra dificuldades na fase actual da humanidade, quando as diversas mensagens de universalidade se chocam ou entram em concorrência. A harmonia deste dinamismo exige a afirmação e a prática da liberdade de religião. Quando uma religião é proibida, significa que uma outra é imposta, em nome de interesses vários: a unidade do Estado, uma visão unilateral de tradição cultural, a defesa da própria religião. A afirmação do princípio da liberdade religiosa não contradiz o direito de uma sociedade valorizar a harmonia, consolidada na tradição, entre uma determinada religião e a cultura de um povo. Mas concilia com esse direito o respeito pela liberdade das pessoas e afirma a sua dignidade fundamental. Seria importante que os responsáveis políticos pelas Nações, no diálogo global, hoje inevitável, relativizassem o princípio da “real politique”, e não se regessem apenas por interesses económicos, mas introduzissem como assunto das relações bilaterais e multilaterais a defesa destes princípios fundamentais de afirmação da dignidade humana.
Fonte : Conferência Internacional
“Globalização – Ciência, Cultura e Religiões”

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sociedade e Religião I = Globalização e Pluralismo Religioso

Em tempos de globalização, neoliberalismo, mundialização, modernidade e pós-modernidade, as rotinas da vida cotidiana constituem um desafio para a religião. Este novo momento histórico desafia as formas religiosas diversificadas.
A religião, como um dos elementos centrais do campo simbólico da sociedade, não escapa a essa dinâmica cultural em que a sociedade está envolvida, na qual o heterogêneo e o diverso contrapõem-se ao monolítico e ao homogêneo; o concreto, específico e particular ao abstrato, geral e universal.
Nessa nova sociedade, a religião também muda, ela se desterritorializa, depende das forças mercantis da oferta e da procura; ela passa a ser orientada a adaptar-se a situações inusitadas e a novas demandas. Reage às suas concorrentes lançando mão da propaganda e dos meios eletrônicos de comunicação, simplificando sua linguagem em função de um limitado número de "produtos" religiosos.
Uma das coisas mais surpreendentes nessa nova dinâmica da religião é a facilidade que qualquer um tem de mudar de uma para outra sem problemas de consciência e de constrangimento. Estamos na era da religião do mercado sem fronteiras; ela se espalha e se fragmenta, não se sabe mais de onde veio; refaz-se a cada demanda; avança nos espaços e lança-se no mercado. A religião explode, se pluraliza, e por isso se sujeita à lei da concorrência; como mercadoria, é vendida a um conjunto de “clientes” que não se sentem mais obrigados a consumí-la.
Somos um país onde novas religiões e filosofias de vida despontam, transformando o Brasil num país mais tolerante e cada vez mais desenraizado em matéria religiosa e em termos culturais. Nunca as religiões foram tão livres para se instituírem, para concorrerem entre si e se multiplicarem. Vive-se uma livre concorrência entre os mais diversos tipos de organização religiosa (igrejas, seitas, cultos, centros, terreiros, ordens, denominações, comunidades, casas, redes, movimentos), as quais dialogam criticamente com a religião católica, ainda hegemônica no país.
O pluralismo religioso possibilita que o mercado concorrencial seja abastecido com uma variedade de ofertas religiosas (terapia corporal, mental e afetiva; cultos de reposição de energia; crença no poder dos cristais e de tantas outras formas de espiritualidades ou de manipulação de forças e energias), onde o melhor produto é aquele que cada adepto elege e consome como tal.
A pluralização é o rótulo de um tipo de sociedade que possibilitou os limites do desejo de escolha e de liberdade de preferências. No Brasil, aproximadamente um quarto da população adulta já teve a experiência do sentido da conversão e da adesão a uma outra religião, diferente daquela que herdou de seus pais.
A religião passa a interessar somente no sentido de seu alcance individual; aos poucos ela vai se reterritorializando na esfera do indivíduo e deste para a dinâmica das relações de consumo, vendo-se obrigada, agora, a ser regulada pelas regras do mercado.
A sociedade passa a recorrer à religião apenas festivamente, tendo em vista o aparecimento de formas religiosas que se apresentam como espetáculo. Aquela religião que era fonte de transcendência perdeu seu sentido; um outro tipo de religião que está preocupada com causas localizadas, reparos específicos, portanto, adquire expressão e relevância nos tempos atuais

sábado, 29 de agosto de 2009

Sociedade Local : O poder da Mídia


Os meios de comunicação influenciam vários aspectos da nossa vida: comportamental, profissional, comercial. Desde programas de entretenimento até os mais informativos têm grande poder de persuasão e influenciam em nossas decisões. Novelas ditam modas, notícias causam reviravolta nos mercados e na política, e a publicidade nos diz qual é o melhor produto a ser consumido.
O fato é que nem sempre estamos conscientes dessa “ditadura” que permeia nossas mentes e comportamento. Infeslimente, em nossa região, cada dia vai se perdendo a credibilidade na mídia regional, que são manuseados a grande maioria, por agentes políticos que querem formar a força a opinião local. O grande prejudicado e a própria população que não tem um canal democrático que possa emitir opiniões contrarias e divergentes para debates. Os Blogs e uma forma encontrada para purificar informações, criar um canal de debate que parte do cidadão comum para outro cidadão comum. Porém encontrarmos alguns Blogs que restringe os comentários e nem dar uma resposta satisfatória a pergunta feita ou ao comentário postado mesmo se identificado. Esse poderá ser um blog que já se contaminou com o poder da mídia local.
Democracia e também aceitar o diferente, mesmo se essa ação necessitar criar mecanismos que quebre o paradigma.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A geografia da sociedade globalizada e o apocalipse ambiental


Estamos vivenciando o fenômeno da globalização, processo que teve início no século XV, com as grandes navegações, e que se intensificou nas últimas três décadas do século XX, propiciando a “mundialização” do espaço geográfico, fenômeno que ultrapassa os limites do nacional para atingir a universalização de idéias, valores, padrões e procedimentos, alcançando a esfera econômica, como também o quadro social, político, científico, informacional, cultural e ecológico.
Parafraseando o geógrafo brasileiro Milton Santos (1994), atualmente vivemos o chamado “período técnico-científico-informacional”, caracterizado pelo grande avanço científico e tecnológico, marcado pelo domínio da tecnologia, da robótica e da biotecnologia.
Diante disso, o planeta está cada vez mais conectado, gerando a idéia de que o mundo está cada vez menor. As telecomunicações e a informática possibilitam imagens vistas em todas as partes do planeta, diminuindo o tempo e a distância da comunicação. Testemunhos vivos deste período incorporados ao cotidiano humano, são, a saber: informática, computador, internet (sistemas http// e www), softwares, caixa 24 horas, telefone celular, chips, fibra ótica, código de barras, GPS, robôs, cartões magnéticos, DVD, MP3, satélites, viagens interplanetárias, animais clonados, transgênicos, cibercultura, etc.
Apocalipse já: a questão ambiental na era globalizada
Outro ponto que merece ser discutido no âmbito da sociedade global é a questão ambiental, assunto tão discutido teoricamente e pouco colocado em prática. A exploração abusiva dos recursos naturais coloca a humanidade diante de um apocalipse real, a catástrofe causada pelo aquecimento global, que se esperava para daqui a trinta ou quarenta anos já começou: aumento na temperatura, degelo nas zonas glaciares, aumento do nível do mar, desertificação, seca na Amazônia, furacões, ciclones atípicos no Brasil, são algumas mudanças provocadas pelo desmatamento, pela emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, queimadas, poluição e contaminação bombardeiam o frágil equilíbrio das quatro esferas geográficas: atmosfera, litosfera, hidrosfera e biosfera acelerando a destruição da nave Terra.
Se as conferências e encontros mundiais sobre o meio ambiente, como a Rio 92, a Rio +5 (1997), a Rio +10 (2002) e, recentemente a Conferência das Partes – COP 8, deixaram claro que a natureza é finita, limitada e que funciona dentro de um sistema interdependente e que precisa de cuidados para manter seu equilíbrio natural. Fica aqui a pergunta: o quê de fato os governos, empresas e a sociedade civil estão fazendo para reverter a velocidade de suas práticas econômicas antiecológicas?
A princípio, temos uma resposta para a indagação acima: as informações e a preocupação com a saúde da natureza são colocadas em “xeque ou em cheque”, no Brasil, já existe uma nova indústria parecida com a da seca: é a “indústria do meio ambiente”, recursos destinados à proteção das florestas, dos rios e dos animais são desviados pelo Poder Público, pelas ONG’s e pelos organismos privados (Mariano Neto, 2003).
O cenário ambiental atual é adverso, mas não justifica a inércia. Sabemos que para combater o aquecimento global, principal agente do desequilíbrio ambiental da Terra, é preciso utilizar cada vez mais fontes alternativas de energia e diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa.
Sabemos que os seres humanos se adaptaram aos novos ambientes terrestres – essa é a chave do sucesso evolutivo da espécie humana. Mas um mundo mais quente pode ser cheio de surpresas, a maioria delas desagradável e catastrófico.
Quem ganha e quem perde na sociedade global
No produto da economia global, a concretização do neoliberalismo, expressão econômica do mercado global, caracterizada pelas grandes incorporações internacionais interessadas na eliminação das fronteiras nacionais ou, mais precisamente, na remoção de qualquer entrave à livre circulação de seus capitais, tudo em nome de uma política de encolhimento e enfraquecimento do Estado.
A mundialização da produção, da circulação e circuitos financeiros imediatos são manobrados pelo capital especulativo, que circula a uma velocidade luminar, com parada de metrô em cada uma das bolsas de valores mundiais. Incontroláveis, transitórios e deixando marcas irreversíveis no mundo do capital produtivo (Mariano Neto, 2003, p.53).
Nas palavras de Milton Santos (1996, p.32) “todos os lugares são mundiais, mas não há um espaço mundial. Quem se globaliza, mesmo, são as pessoas e os lugares”.
Diante deste fenômeno complexo e contraditório, os valores difundidos pela globalização no mundo atual que levam a desigualdade, a dependência e a exclusão de parte da população e dos países menos favorecidos, devem ser analisados dentro de uma ótica crítica diante de tais fatos concretos.
Em resumo, não devemos ver a globalização como um produto sem erros de fabricação. Aí estão visíveis as lacunas que separam os ricos dos pobres e as nações desenvolvidas das subdesenvolvidas que estão aí a solicitar empréstimos e ajuda humanitária. Um outro defeito do espaço global é o desemprego estrutural que é crescente mesmo com o desempenho favorável de algumas economias. Postos de trabalho são eliminados pelas máquinas e muitos indivíduos são jogados ao terror da falta de emprego e de políticas que poderiam criar alternativas de trabalho para os cidadãos.
Dentro do processo de globalização o desemprego não é privilégio apenas das nações pobres, pois se alastra em todos os países do globo e desafia a todos os defensores do mundo globalizado que não tem a fórmula correta para combater tal anomalia.
Fonte: Por Márcio Balbino Cavalcante

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Geografia do H1N1


O que é?
É uma infecção viral aguda do sistema respiratório que tem distribuição global e elevada transmissibilidade. O quadro clássico tem inicio abrupto com febre, mialgia (dores musculares e articulações) e tosse seca.
O vírus influenza A, é altamente transmissível e mutável.O vírus influenza tipo “A” é encontrado em várias espécies animais, sendo as aves aquáticas silvestres seu principal reservatório.
O tipo “A” é o responsável pelas pandemias periódicas de influenza, a partir de aves e suínos, e posterior adaptação para transmissão interhumana.
A Influenza ou Gripe A, causada pelo vírus A H1N1 foi originalmente batizada de gripe suína, mas pela possibilidade desse nome gerar confusão entre a população que poderia acreditar que a doença pode ser adquirida pelo consumo de carne de porco – o que é incorreto – abalando o mercado de suinocultura, a doença foi rebatizada.
A Influenza A (H1N1), diferentemente da gripe aviária, que era transmitida de animais para seres humanos, se propaga de pessoa para pessoa, principalmente por meio da tosse ou espirro e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.Eventualmente também pode ocorrer transmissão pelo ar, pela inalação de pequenas partículas residuais dessecadas, que podem ser levadas a distâncias maiores.A influenza tem altas taxas de ataque, disseminando-se rapidamente na comunidade e em ambientes fechados.O período de incubação varia entre um a sete dias com um período de transmissibilidade de dois dias antes até cinco dias após o início dos sintomas.
De repente surge a notícia de probabilidade de uma pandemia de "Gripe Suína", que se espalha a partir do México.
É incrível a velocidade de sua propagação e, mais que isso, a sua origem.
Trata-se de um vírus do tipo influenza, que se propaga pelo ar e é altamente infeccioso.
O que se pode dizer, a respeito de sua origem (além da questão biológica), é que, com as políticas neoliberais em curso no México, muito pouco ou quase nada, foi ou é investido em saneamento básico naquele país, principalmente na Cidade do México (a cidade mais populosa do mundo), onde a pobreza faz companhia para quase metade de sua população.
São grandes contingentes de pessoas em ônibus e trens lotados, respirando um ar carregado de toda a sorte de vírus e bactérias (a Cidade do México é a metrópole mais poluída do planeta). E, agora, o vírus da Gripe Suína, viaja de avião, a partir daquele país, para todas as partes do globo, a uma velocidade de 800 km/h. Rápido o bastante para, em poucas horas, já ser encontrado em pessoas de países de todas as partes do globo.
E agora, o que fazer?
Além da crise do capitalismo globalizado, da crise ambiental, temos no caminho da humanidade, uma provável crise de saúde pública.
Pois, o que se vai fazer para as pessoas não saírem de casa? Não serem expostas ao vírus?
Como, vai ficar o capitalista, se estas pessoas não saírem de casa, para trabalhar e consumir?
Qual será a resposta?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A CRISE ATUAL DO SISTEMA CAPITALISTA MUNDIAL

A crise recente do sistema capitalista mundial começa a partir do aguçamento da contradição entre o nível de desenvolvimento das forças produtivas e as relações capitalistas de produção. O processo de desenvolvimento do capital produziu um considerável avanço no desenvolvimento das forças produtivas, concentrado principalmente nos países desenvolvidos. O período recente de expansão da economia americana só foi possível através da transferência de mais-valia produzida em todo o mundo e pela gigantesca expansão do capital fictício, o que mascarou a pressão decrescente da taxa de lucro. Por outro lado, o desenvolvimento das relações capitalistas de produção, ampliou sua contradição interna entre o processo de socialização da produção e o caráter privado da apropriação. A produção socializa-se cada vez mais em escala mundial, pela forma de expansão do capital internacionalizado, pela constituição das redes internacionais de produção e pela internacionalização dos processos produtivos. Esse processo desestrutura as cadeias produtivas dos países subdesenvolvidos (onde havia), centraliza o capital e precariza profundamente a reprodução da força de trabalho. A parcela da população integrada ao mercado capitalista mundial encontra-se atendida em suas “necessidades” de meios de consumo duráveis e não duráveis. Ela se constitui apenas em mercado de reposição, que é dinamizado pelo intensivo processo de obsolescência técnica e física programada pela produção industrial. A integração de maiores parcelas da população ao mercado de bens capitalistas de consumo implicaria, em primeiro lugar, na necessidade de redistribuição da mais-valia. Isso deprimiria ainda mais a taxa de lucro aguçando a contradição decorrente da própria lei do valor. Defendo que a tendência recente à estagnação capitalista não permite vislumbrar, em sua saída, um novo ciclo virtuoso de crescimento do sistema mundial. O mais provável será um longo período de estagnação com espasmos localizados de crescimento com pouca possibilidade de retorno aos “gloriosos anos dourados”.

domingo, 12 de julho de 2009

O que faz de uma cidade uma cidade

Definir é uma coisa que nada tem de muito simples, pois exige um razoável, às vezes, até mesmo um elevado(dependendo da complexidade daquilo que se deve definir)poder de abastração.
As definições cientificas, normalmente, se referem a fenômenos bastante ou até mesmo extremamente gerais. A cidade é um objeto muito complexo e, por isso mesmo, muito difícil de se definir. A literatura a respeito do assunto “cidades”e, consequentemente, também as discussões sobre o conceito de cidade, aumentaram exponencialmente no decorrer do século XX.
O jeito, então, é advertir o leitor para o fato, inevitável, de que o que se pode fazer, aqui, é meramente, uma aproximação, com forte dose de generalização embutida. Para o sociólogo Max Weber, em um escrito seminal sobre a natureza das cidades, publicado originalmente em 1921, a cidade é, primordial e essencial, um local de mercado”. Já Christaller deu uma contribuição importante, introduzindo o conceito de localidade central . Toda cidade é, do ponto de vista geoeconômico, isto é, das atividades econômicas vistas de uma perspectiva espacial, uma localidade central, de nível maior ou menor de acordo com sua centralidade. A aldeia diversamente não è uma localidade central. A natureza de uma aldeia, ou do povoado, é mais “centrifuga”, para usar um termo de Christaller, porque as atenções de seus moradores estão voltados, para suas bordas(onde começam os campos de cultivo), do que centrípeta” como ocorre coma cidade, onde a área central de negócios, ou seu embrião, atrai os consumidores de toso tecido urbano, fazendo que as atenções dos citadinos se voltem para o centro doassentamento, e não para as franjas.
A cidade é, sob o ângulo do uso do solo, ou de atividades econômicas que as caracterizam, um espaço de produção não agrícola e de comércio e oferecimento de serviços. Nas bordas da cidade, é comum existir uma “faixa de transição” entre o uso da terra tipicamente rural e o urbano . Essa faixa de transição é chamada, entre os geógrafos anglo-saxões, de franja rural-urbana, e entre os franceses, comumente, de espaço periurbano.
A “lógica” rural é da terra enquanto terra de trabalho para a agricultura e a pecuária; o solo aqui, tem valor não apenas devido a localização do terreno, mas um valor intríseco, devido às diferenças de fertilidade natural. Já a “lógica urbana” é a do solo enquanto um simples suporte para atividades que independem de seus atributos de fertilidade.
Além de tudo isso, a cidade é, igualmente, um centro de gestão do território, por sediar as empresas. Porém, nem tudo se resume a economia! A cultura desempenha um papel crucial na produção do espaço urbano e na projeção da importância de uma cidade para fora de seus limites físicos, assim como o poder.
Cada pais adota os seus próprios critérios oficiais para estabelecer o que é um cidade, ou, mais amplamente, um núcleo tido como propriamente urbano.
Na verdade, a diversificação das atividades econômicas das cidades não dependem só do seu tamanho demográfico, do seu número de habitantes. Ela ocorrem, também, muito em função da renda das pessoas que lá moram, além de outros fatores histórico-culturais. E por fim, a centralidade, e, por conta disso, o status do núcleo como centro de gestão do território, terá igualmente, não só a ver com a quantidade de habitantes, mas também, com a renda dos habitantes e outros fatores.
Costuma-se pensar em uma cidade como entidade isolada e fortemente individual: a cidade x (uma cidade qualquer, hipotética) foi fundada em algum momento, há alguns ou muitos séculos, cresceu e sofisticou –se. Uma aglomeração urbana se forma quando duas ou mais cidades passam a atuar como um “minissitema urbano” em escala local, ou seja, seus vínculos se tornam muitíssimo fortes, no sentido acima exposto .
Se uma das cidades que formam uma aglomeração urbana crescer demais, apresentado-se como uma cidade grande e com uma de influência econômica, pelo menos regional, então não se está mais diante de uma simples aglomeração, mas de uma metrópole. Uma metrópole é também, por conseguintes, em escala local, polarizado, esse sistema, por uma cidade principal, que abriga o núcleo metropolitano.
No Brasil, foram criadas, na década de 70, nove regiões metropolitanas . Não resta dúvidas de que se tratava de reconhecer, formalmente,a existência de metrópoles de fato. É evidente, assim, que a criação e a gestão dessas primeiras regiões metropolitanas se deram sob a égide do centralismo e do autoritarismo. Uma megalópole é, também uma espécie de “sistema urbano” fortemente integrado, inclusive por fluxos de deslocamento diário de passageiros na base de transportes coletivos de massa. Só que, diferentemente das metrópoles, as megalópoles não são, do ponto de vista físico, entidades locais; elas se espraiam por áreas muito maiores, em escala regional ou, pelo menos, sub regional. De fato, megalópoles são formados por duas ou mais metrópoles, que se acham “costuradas”, por fluxos de modo semelhantes como cada metrópole individual se acha articulada internamente.
Por último, o termo “megacidades” fez suas aparições há alguns anos, popularizados a partir do ambiente anglo-saxão(megacites). O fato é aquilo que se chama de “megacidade” são, no fundo metrópoles. Talvez para chama mais atenção do grande público, tomando um termo de uso tão comum(cidade) e acrescentado-lhe um prefixo capaz de emprestar-lhe força dramática (mega).
Contribuição: Conteúdo fichado de obras de Roberto Lobato Corrêa.