domingo, 13 de dezembro de 2009

Movimentos Migratórios

Ação e efeito de emigrar ou deixar o próprio país para ir viver em outro. Também por extensão se denomina migração os movimentos da população que se produzem dentro do próprio país. O termo emigração refere-se ademais ao conjunto de habitantes que trasladam o seu domicilio; já seja por um tempo ilimitado ou temporalmente, de um país, região ou povo a outro distinto.
Aínda que se trata do mesmo fenômeno, denomina-se imigração quando o ponto de observação é o da recepção de massas migratórias e emigração quando o fenômeno é observado desde o lugar emissor.
As razões que levam o ser humano a emigrar respondem a uma necessidade de caráter vital que pode ser suscitada por questões de restrição econômica, política e/ou ambiental
A pirâmide etária é o gráfico que representa a estrutura de sexo e idade de uma população. É baseado numa estrutura etária da população, ou seja, a repartição da população por idades. Nesse tipo de gráfico, cada uma das metades representa um sexo; a base representa o grupo jovem (até 19 anos); a área intermediária ou corpo representa o grupo adulto (entre 20 e 59 anos); e o topo ou ápice representa a população idosa (acima de 60 anos).
As pirâmides etárias são usadas, não só para monitorar a estrutura de sexo e idade, mas como um complemento aos estudos da qualidade de vida, já que podemos visualizar a média do tempo de vida, a taxa de mortalidade e a regularidade ,ou não, da população ao longo do tempo. Quanto mais alta a pirâmide, maior a expectativa de vida e, consequentemente, melhor as condições de vida daquela população.Também pode se saber em que lugar o país representado na piramide etaria esta na Nova Ordem Mundial, ou seja, se é um país do Norte(país desenvolvido) ou do Sul(país emergente), quando o país é desenvolvido a pirâmide tm uma forma retangular e quando emergente triangular.
Uma guerra, por exemplo, provoca distúrbios visíveis numa pirâmide etária: uma queda no número de jovens e adultos do sexo masculino é o mais comum deles. Normalmente, após uma crise como essa, é notável uma reposição populacional estimulada pelo governo,


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Geografia x Midia - Para Reflexão



Após visitar um blog da minha região e colocar minha opnião sobre um determinado assunto e postar uma informação sobre o fato em debate e o comentário ficar exposto apenas alguns dias e depois se retirado. Coloco essa postagem para reflexão.

Censura

é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão. A censura criminaliza certas acções de comunicação, ou até a tentativa de exercer essa comunicação. No sentido moderno, a censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão, como certas facetas da arte.O propósito da censura está na manutenção do status quo, evitando alterações de pensamento num determinado grupo e a consequente vontade de mudança. Desta forma, a censura é muito comum entre alguns grupos, como certos grupos de interesse e pressão (lobbies), religiões, multinacionais e governos, como forma de manter o poder. A censura procura também evitar que certos conflitos e discussões se estabeleçam.A censura pode ser explícita, no caso de estar prevista na lei, proibindo a informação de ser publicada ou acessível, após ter sido analisada previamente por uma entidade censora que avalia se a informação pode ou não ser publicada (como sucedeu na ditadura portuguesa através da PIDE), ou pode tomar a forma de intimidação governamental ou popular, onde as pessoas têm receio de expressar ou mostrar apoio a certas opiniões, com medo de represálias pessoais e profissionais e até ostracismo, como sucedeu nos Estados Unidos da América com o chamado período do McCartismo. Pode também a censura ser entendida como a supressão de certos pontos de vista e opiniões divergentes, através da propaganda, manipulação dos média ou contra-informação. Estes métodos tendem a influenciar e manipular a opinião pública de forma a evitar que outras ideias, que não as predominantes ou dominantes tenham receptividade.Uma forma moderna de censura prende-se com o acesso aos meios de comunicação e também com as entidades reguladoras (que atribuem alvarás de rádio e televisão), ou com critérios editoriais discricionários (em que por exemplo um jornal não publica uma determinada notícia). Muitas vezes a censura se justifica em termos de proteção do público, mas na verdade esconde uma posição que submete os artistas ao poder do estado e infantiliza o público, considerado como incapaz de pensar por si próprio. Actualmente a censura pode ser contornada mais eficazmente, com o recurso à Internet, graças ao fácil acesso a dados sem fronteira geográficas e descentralizado e aos sistemas de partilha de ficheiros peer-to-peer, como a Freenet. O uso cotidiano da censura promove um movimento de defesa bastante corrosivo que é a auto-censura, quando os produtores culturais e formadores de opinião evitam tratar de questões conflitivas e divergentes.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Geografia x Mundo

A atual crise econômica e social que atinge toda a humanidade, com maior ou menor intensidade em cada nação, implica não só num certo esgotamento das formas tradicionais de apreensão do real, na medida em que estas não satisfazem na busca de soluções para o problemas, como também numa nova busca, teórico metodológica, que venham à açambarcar a complexidade crescente das relações sociais.

Dentro deste cenário surge a importância do espaço, pois, de um certo modo, o seu estudo apresenta um caráter unificador, dos vários campos da ciência, o que é saudável frente à contínua divisão do saber, que crie o mundo dos mudos e surdos, cada qual não compreendendo o que o outro diz, dificultando ainda mais a busca de soluções que devem ter caráter global e não parcelar.

Mas, se a nível teórico, o grande desafio está em apresentar soluções em escalas mais amplas que aquelas decorrentes pelo atual estágio da evolução teórica-metodológica da ciência em geral; a nível concreto, tal desafio corresponde aos impasses ocorridos a partir da universalização do caráter comercial das coisas, o capital torna mercadoria a casa, a roupa, a comida, a educação e o próprio espaço. O espaço passando a ter valor, torna-se mais raro e conseqüentemente motivo de luta e disputa. O espaço deixa de ter aquela aparência inerte, para ter profunda importância na própria reprodução dos mecanismos que o tornam mercadoria. A evolução do modo de produção capitalista gerou condições que tornam a produção do espaço como um elemento intrínseco à própria dinâmica da reprodução do capital.

Uma forma de perceber esta nova condição do espaço, se dá pela evolução do setor imobiliário, este setor vem nos últimos tempos apresentando significativa importância pois o produto com o qual trabalha, o terreno, adquire um maior valor em relação aos outros utensílios necessários, não só para a reprodução da força de trabalho ( em relação à escola, a roupa, comida e lazer ), como na própria reprodução do capital ( o lugar central, tendo cada fração do capital um lugar próprio; sendo condição sine qua non para a própria vida da empresa ).

Vejo que as condições capitalistas tornaram certas mercadorias mais populares, como o carro, a calça jeans e assim por diante, que estão dentro da própria dinâmica do aumento da decomposição orgânica do capital que visa a manutenção da taxa de lucro média, mas por outro devemos dar ao espaço tratamento diferente, isso porque seu caráter seletivo se acentuou, tornando os setores econômicos que atuam com esse objetivo mais importantes que antes. Essa acentuação, no entanto, ao contrário da produção de certas mercadorias, tem como conteúdo o caráter não só econômico, mas também político e ideológico. O espaço ao se tornar mais raro, adquire um maior caráter político e ideológico por ainda ser uma condição essencial à qualquer atividade humana. Nós podemos abrir mão de um automóvel ou de uma calça jeans, mas do espaço

sábado, 14 de novembro de 2009

Monitor Campista x Campos dos Goytacazes

Campos dos Goytacazes, cidade conhecida no Brasil pela planície dos indios Goytacazes, terra de homens ilustres na história de nosso pais, terra da cana de açucar e do petroleo. Pena que as qualidades do passado, estão sendo apagadas pela ausência e competência de uma politica verdadeira. Há anos Campos sofre com os caprichos de poucos, que gera sofrimentos de muitos. O Jornal Monitor Campista e mais um desses gigantes do passado glorioso que começa a agonizar até morrer. O bom para o momento em Campos e a verdade que dar certo nesta cidade, ninguém a muito tempo liga de verdade para essa cidade, que infelismente hoje só aparece na mídia, em escadalos. Aproveito o texto não só para o Jornal, mas para os jovens que parte de nossa terra, para outros municipios porque não tem vez, em quanto temos milhões a investir. Outros municipios crescem e desenvolve e Campos se prende somente em manter a herança não da Cana de açucar como produtor, mas dos seus coroneis. Vejo com tristeza minha cidade, onde a justiça e feita para ser desrespeitada. Que exemplo podemos dar, ãos vizinhos: nada. Somente o mal exemplo de não valorizar o passado e destruir o pouco que restou. A todos que participaram da linda história desse jornal, saiba que vocês fizeram a História de desse Rico municpio, que não precisa de assistencialismo, mas de dignidade humana, não precisa de ações de faz de conta, mas de emprego de qualidade, no qual o curriculo do canditato ateste sua formação para o cargo almejado e não uma indicação nas esferas onde somente os qualificados deveriam estar. Desejo melhora ao municipio de Campos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sociedade e Cultura : Ensino Religiso



O Ensino Religioso


Podemos definir a educação das mais diferentes formas e com parâmetros diversos, mas, em se tratando de seu objetivo final, todas as definições convergem para o desenvolvimento pleno do sujeito humano na sociedade. É aqui onde o Ensino Religioso fundamenta a sua natureza: o homem para adquirir seu estado de realização integral necessita da perfeição religiosa, também.
"Dentre os inúmeros instrumentos de que dispõe a sociedade para alcançar tão elevado objetivo está a religião, pois somente quando se coloca a questão da transcendência, a que se denomina Deus, encontra a comunidade humana e cada uma das pessoas individualmente, respostas às perguntas fundamentais que todos se colocam diante da vida." (Catão, 1995).
O Estado, a quem, hoje, se confia a educação da maior parte da sociedade, reconhece a necessidade de uma educação religiosa, sem no entanto dizer como realizá-lo. Em todo caso, ele não pode prescindir dos questionamentos fundamentais de toda pessoa humana, e que constitui o próprio fundamento da sociedade.
Ensino Religioso é a disciplina à qual se confia, do ponto de vista da escola leiga e pluralista a indispensável educação da religiosidade. Aqui, já vale observar a necessidade de se superar uma posição monopolista e proselitista, para que haja uma autêntica educação da religiosidade inserida no sistema público de educação em benefício do povo.
"Pela primeira vez, pessoas de várias tradições religiosas, enquanto educadores, conseguiram encontrar o que há de comum numa proposta educacional que tem como objeto de estudo o transcendente." (Parâmetros Curriculares Nacionais). É certo, alguns comemoram como uma grande conquista a sua aprovação em lei, porém ninguém pode negar a complexidade e seriedade desta questão.
Então, será mesmo a aprovação do Ensino Religioso uma conquista? Ou estaria havendo, como muitos alegam, uma confusão de papéis: escola/igreja, ciência/religião, público/privado?
Os problemas da carência de fundamentação nas ciências vem reforçar o binômio fé/ciência. Portanto, qual é o fundamento, que parâmetros são tomados para a viabilização do Ensino Religioso? Esta é a questão que pretendo discutir no presente artigo, a partir da bibliografia ainda escassa, principalmente em se tratando de discussão filosófica.

O Ensino Religioso na L.D.B.


Com a nova L.D.B. muitas mudanças vem sendo organizadas a curto e longo prazo, seja do ponto de vista estrutural, quanto do conteúdo de nosso sistema educacional.
Para o Ensino Religioso, inicia-se uma nova fase da história, foi aprovado uma nova lei que o constitui, agora, em uma disciplina com todas as propriedades, enquanto tal. Isto significa que o Ensino Religioso não se dá mais no processo linear como foi concebido até recentemente, mas por meio de articulações complexas num mundo pluralista e multiforme, pois é nela e a partir dela que se inicia o processo. O próprio artigo 33 da L.D.B., já sofreu muitas críticas e está hoje em vigor na redação que segue mais adiante. Antes do artigo, é interessante observar o texto em que foi remetido à imprensa, na tarde de 17/6/97.
"O substitutivo do deputado Padre Roque (PT-PR) foi votado na Sessão da Câmara dos Deputados no dia 17/06/97. O texto aprovado corrige distorções históricas do Ensino Religioso, modificando a redação do artigo 33 da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. (...)
A grande novidade a ser introduzida é que o Ensino Religioso deverá ser tratado como disciplina do sistema de ensino, cujos conteúdos deverão primar pelo conhecimento religioso que forme consciências e atitudes anteriores a qualquer opção religiosa." (Joel de Holanda, PE).
"Substitutivo ao Projeto de Lei n. 2.757, de 1997. (Dá nova redação ao artigo 33 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.) O Congresso Nacional decreta: Art. 33 – O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. 1º - Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. 2º - Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso."
É interessante observar que apesar do decreto, o substitutivo não está sendo publicado pelo GAT – Estadual (Grupo de Assessoramento Técnico Estadual.
É preciso esclarecer e renovar o conceito de ensino religioso, da sua prática pedagógica, da definição de seus conteúdos, natureza e metodologia adequada ao universo escolar, como propõe os Parâmetros Curriculares Nacionais.

A Natureza do Ensino Religioso


Para a compreensão da razão de ser do Ensino Religioso é preciso partir de uma concepção de educação que a entenda como um processo global, integral, enfim, de uma visão de totalidade que reúne todos os níveis de conhecimento, dentre os quais está o aspecto religioso.
Toda sociedade possui um ethos cultural que lhe confere um caráter todo particular, e fundamenta toda a sua organização, seja ela política, social, religiosa, etc. E não é senão a partir da compreensão desse ethos, que poderemos contribuir com as novas gerações, no seu relacionamento com novas realidades que nos são propostas: o individualismo, o descartável, a experiência religiosa sem instituição etc.
O conhecimento religioso enquanto patrimônio da humanidade necessita estar à disposição na Escola. Em vista da operacionalização deste processo, o Ensino Religioso tem se caracterizado pela busca de compreensão desse sujeito, explorando temas de seu interesse, de forma interdisciplinar, com estratégias que considerem este novo perfil de indivíduos, estimulando, sobretudo, o diálogo.
A antropologia cultural, depois de muitos estudos históricos, deu ao fenômeno religioso o reconhecimento de seu caráter universal. Fato este, que nos leva a um reconhecimento ainda maior da originalidade deste fenômeno em e de cada cultura em específico.
"A religião nasceu a partir do fenômeno morte."- afirma Frei Vicente Bohne, da Coordenação dos Parâmetros C.N.). A angústia existencial que necessita de uma resposta, ao longo da história da humanidade conseguiu elaborar, basicamente quatro respostas: a Ressurreição, a Reencarnação, o Ancestral, o Nada.
Aqui, é preciso deixar muito claro que o Ensino Religioso não pretende ser nenhuma experiência de fé, mas que precisa se manter para a sua própria razão de ser, sob o fundamento do conhecimento.

A dimensão Pedagógica


A partir de uma abordagem antropológico filosófica, que reconhece o fenômeno religioso como decorrência de sua propriedade humana, de sua condição existencial, e seguindo para uma abordagem mais específica e de nossos interesses que é a de ordem pedagógica, podemos dizer que o específico do religioso para o Ensino Religioso é ajudar o aluno a se posicionar e a se relacionar da melhor forma possível com as novas realidades que o cercam. Primeiramente em relação aos seus limites e depois quanto às linguagens simbólicas.
O Ensino Religioso é , portanto, uma questão diretamente ligada à vida, e que vai se refletir no comportamento, no sentido que orienta a sua ética.
"Na medida em que as religiões tenderam a se institucionalizar e a se tornarem organizações públicas, mantidas e presididas pelo rei ou sustentadas oficialmente como um bem do Estado, pela comunidade política, introduziu-se uma distinção, mais ou menos perversa, entre ética, regulada pela fidelidade dos cidadãos aos costumes e bens da comunidade política, e a religião, cujas práticas eram ditadas pela fidelidade aos ritos e celebrações, independentemente da qualidade ética, tanto dos cidadãos como dos sacerdotes que os presidiam." (Catão, p. 44). Essa dicotomia entre religião e vida marcou muito fortemente a religião, tornou-se um dos mais graves problemas do cristianismo latino-americano, como identificou o episcopado católico em Santo Domingo, em 1992.
Tudo isto, ilustra um pouco da necessidade e a seriedade para se orientar a formação de um profissional que ainda não temos. Este, deverá estar capacitado, qualificado por uma visão e atuação muito maior que mostrou possuir a prática até hoje, e no qual o conteúdo deixe de ser quase que exclusivamente uma reflexão de valores, mas possa explicitar áreas específicas do conhecimento religioso.
Houve avanços quanto ao direcionamento pedagógico desde as reflexões e lutas pela inserção do Ensino Religioso, garantida na constituição Federal, em 1987/1988 – "O Ensino Religioso ocupa-se com a educação integral do ser humano, com seus valores e suas aspirações mais profundas. Quer cultivar no ser humano as razões mais íntimas e transcendentais, fortalecendo nele o caráter de cidadão, desenvolvendo seu espírito de participação, oferecendo critérios para a segurança de seus juízos e aprofundando as motivações para a autêntica cidadania.". Todavia, a inquietação do "como fazer" ainda continua sendo crucial.
A sala de aula não pretende ser uma comunidade de fé, mas um espaço privilegiado de reflexão sobre limites e superações. Isto implica a necessidade de se construir uma pedagogia que favoreça tal perspectiva, porque o que objetivamos é fruto de uma experiência pessoal, na incansável busca de respostas par as questões existenciais. É preciso interpenetrar teoria e prática.
Nesse processo, a elaboração de uma linguagem simbólica favorece a descoberta e experiência dessa realidade, portanto, podemos considerar quanto aos aspectos essenciais que orientam a ação pedagógica do Ensino Religioso a pedagogia do limite, a linguagem simbólica, os livros sagrados, e a dimensão dos valores.
A prática vai se dar na ordem da linguagem simbólica, procurando desenvolver o educando na capacidade de decifrar a linguagem simbólica e na compreensão das experiências do transcendente.

O Ensino Religioso e Ética


Muitos - sem compreender sua dimensão específica - questionam: "para quê o Ensino Religioso se já temos a Ética como um dos Temas Transversais, com todo um conteúdo?". A própria história do Ensino Religioso nos mostra que a Ética até há poucos foi o principal objeto do Ensino Religioso, quando não uma doutrinação religiosa. Nesta perspectiva, precisamos compreender com clareza de que ética se está falando.
"Toda religião comporta uma ética e toda ética desemboca numa religião, na mesma medida em que a ética se orienta pelo sentido do transcendente da vida humana" (Catão, p. 63). É necessário superar as errôneas e muitas vezes limitadas definições de ética e propor uma ética da consciência e da liberdade em lugar da ética da lei e da obrigação. Na raiz da Ética, como contempla o Ensino Religioso, está a busca da Transcendência que dá sentido à vida, que proporciona a plena realização do ser humano pessoal e social.

Considerações finais


A universalidade de uma discussão com base no respeito à pluralidade de posições e opiniões diante do religioso, na minha opinião, é a essência que viabiliza o Ensino Religioso.
Passou-se o tempo, como diz o Frei Vicente Bohne, em que este conceito era apreendido com o leite materno. Considero que, certamente, a família e a Igreja são os espaços por excelência dessa reflexão, mas o fato é que vivemos hoje numa realidade em que, apesar das limitações, a escola é o espaço privilegiado em que se pode realizar tais discussões. A Igreja em participação com outras entidades civis, longe de quaisquer forma de proselitismo, quer dar a oportunidade a todo indivíduo de refletir sobre as questões fundamentais da existência humana.
Passamos por uma megatendência de mudanças sociais, políticas e tecnológicas que se formam gradualmente a partir de diferentes variáveis ambientais e que, uma vez configurada, nos influencia. As instituições e organizações existem para agir no mundo, na sociedade e na história ajudando o indivíduo a pensar, a se posicionar frente às questões fundamentais da vida e a encontrar respostas, ou meios para uma resposta.
Acredito que as reflexões que nos propõe o Ensino Religioso, incluindo mesmo os que optam para uma negação de sua religiosidade, permite esclarecer posições, e uma autenticidade na busca da integridade humana, e a colaborar para a construção de uma sociedade melhor.
Muitos dizem que a sociedade está em crise, a educação está em crise, que não existem mais valores, mais ética, culpando esta ou aquela estrutura, mas talvez seja necessário, antes disso questionar as oportunidades que oferecemos às crianças e jovens de desenvolver a dimensão da consciência religiosa que faz parte de seu ser.


Fonte: Matilde Tiemi Makiyama(Pedagoga-FEUSP)
Site: http://www.hottopos.com/videtur4/o_ensino_religioso.htm

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sociedade e Religião II = “Globalização – Ciência, Cultura e Religiões




Globalização e Religiões


Abordar o tema do papel das religiões no fenómeno da globalização, é acentuar a importância da cultura neste processo de unificação da humanidade como uma única família humana. Não quero, com isto, significar, que a religião se identifica com a cultura, mas verificar a importância decisiva das religiões no caldear das culturas, introduzindo-lhe uma componente decisiva: a referência do homem ao transcendente.
A importância da mediatização do mundo contemporâneo no processo da globalização acentuaria, em princípio, a importância decisiva da cultura nesse processo. Como tudo na história, também o processo de globalização é dialéctico. A humanidade está hoje perante um dilema: ser avassalada por uma globalização mecanicista, ao ritmo dos mercados e da assimetria dos processos económicos e dos ritmos de desenvolvimento, com acentuação das clivagens e das injustiças, ou lutar por uma globalização com sentido, cujo ritmo seja marcado pelas culturas. A globalização só significará um progresso qualitativo da humanidade, se a dimensão cultural lhe marcar o ritmo e desvelar o sentido. Não haverá globalização digna do homem sem primazia da cultura; nenhuma cultura será capaz de garantir o sentido positivo da globalização, se não valorizar o factor religioso.
Dada a pluralidade e especificidade das diversas culturas e religiões, um dinamismo se revela essencial no processo de globalização: o do diálogo inter-cultural e inter-religioso. É uma perspectiva que faz, timidamente, o seu caminho vencendo obstáculos aparentemente intransponíveis: a dimensão étnica das culturas e das religiões; a identidade dos povos ligada às tradições culturais e religiosas; o carácter irredutível da dimensão dogmática das religiões e das culturas; as tentações sincretistas, que geram mecanismos de defesa e afirmações fundamentalistas; o desvirtuar da pureza das religiões, manipulando-as para objectivos políticos ou económicos.
Mas nenhuma destas dificuldades pode impedir o diálogo, que terá por base o respeito e o conhecimento mútuos, na valorização de valores comuns. Ao nível da dimensão ética que tece o sentido do homem e da história, vai-se decantando uma espécie de “universal humano”, que sublinhará a relação entre religião, cultura e criação, frente ao qual cada religião é chamada a um aprofundamento que lhe alargue o horizonte e busque a radicalidade. A construção deste “universal humano” não se fará à custa de sincretismos descaracterizantes, mas sim do reconhecimento mútuo de valores fundamentais.
O processo da globalização é também um dinamismo de mutação cultural e o diálogo inter-religioso é um bom caminho para as religiões entrarem nesse processo de transformação das culturas.

Um outro elemento, interessante de analisar, no processo de globalização: a relação entre esta e a busca da universalidade. O sentido da universalidade está presente nas grandes religiões do mundo. Eu tenderia mesmo a considerá-lo constitutivo da autêntica religião. Quando uma fé religiosa se considera decisiva para o destino do homem, é natural que ela se considere decisiva para todos os homens. É, aliás, este dinamismo de universalidade, que fundamenta o sentido de missão e de anúncio da própria fé.
No judeo-cristianismo, tradição religiosa que conheço melhor, esta dimensão de universalidade é constitutiva da própria fé. Já no Génesis Deus celebra com Noé uma Aliança com toda a Humanidade e o arco-íris será o seu sinal (cf. Gen. 9,8-17). O Profeta Isaías proclamará a vocação de universalidade da fé de Israel: “Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do Templo do Senhor se há-de erguer no alto das montanhas e ficará acima das colinas. Ali acorrerão todas as nações, ali irão ter povos sem número” (Is. 2,2-3). E as últimas palavras de Jesus aos seus Apóstolos sublinham a universalidade da salvação que Ele realizou: “Ide e de todas as nações fazei discípulos” (Mt. 28,19).
Este sentido de universalidade religiosa pode ter grande importância no processo cultural da globalização, pois trata-se de um dinamismo de igualdade fundamental de todos os homens, porque toda a verdadeira mensagem religiosa é um anúncio de salvação e de fraternidade, na construção da harmonia, da justiça e da paz. Mas também este dinamismo de universalidade encontra dificuldades na fase actual da humanidade, quando as diversas mensagens de universalidade se chocam ou entram em concorrência. A harmonia deste dinamismo exige a afirmação e a prática da liberdade de religião. Quando uma religião é proibida, significa que uma outra é imposta, em nome de interesses vários: a unidade do Estado, uma visão unilateral de tradição cultural, a defesa da própria religião. A afirmação do princípio da liberdade religiosa não contradiz o direito de uma sociedade valorizar a harmonia, consolidada na tradição, entre uma determinada religião e a cultura de um povo. Mas concilia com esse direito o respeito pela liberdade das pessoas e afirma a sua dignidade fundamental. Seria importante que os responsáveis políticos pelas Nações, no diálogo global, hoje inevitável, relativizassem o princípio da “real politique”, e não se regessem apenas por interesses económicos, mas introduzissem como assunto das relações bilaterais e multilaterais a defesa destes princípios fundamentais de afirmação da dignidade humana.
Fonte : Conferência Internacional
“Globalização – Ciência, Cultura e Religiões”

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sociedade e Religião I = Globalização e Pluralismo Religioso

Em tempos de globalização, neoliberalismo, mundialização, modernidade e pós-modernidade, as rotinas da vida cotidiana constituem um desafio para a religião. Este novo momento histórico desafia as formas religiosas diversificadas.
A religião, como um dos elementos centrais do campo simbólico da sociedade, não escapa a essa dinâmica cultural em que a sociedade está envolvida, na qual o heterogêneo e o diverso contrapõem-se ao monolítico e ao homogêneo; o concreto, específico e particular ao abstrato, geral e universal.
Nessa nova sociedade, a religião também muda, ela se desterritorializa, depende das forças mercantis da oferta e da procura; ela passa a ser orientada a adaptar-se a situações inusitadas e a novas demandas. Reage às suas concorrentes lançando mão da propaganda e dos meios eletrônicos de comunicação, simplificando sua linguagem em função de um limitado número de "produtos" religiosos.
Uma das coisas mais surpreendentes nessa nova dinâmica da religião é a facilidade que qualquer um tem de mudar de uma para outra sem problemas de consciência e de constrangimento. Estamos na era da religião do mercado sem fronteiras; ela se espalha e se fragmenta, não se sabe mais de onde veio; refaz-se a cada demanda; avança nos espaços e lança-se no mercado. A religião explode, se pluraliza, e por isso se sujeita à lei da concorrência; como mercadoria, é vendida a um conjunto de “clientes” que não se sentem mais obrigados a consumí-la.
Somos um país onde novas religiões e filosofias de vida despontam, transformando o Brasil num país mais tolerante e cada vez mais desenraizado em matéria religiosa e em termos culturais. Nunca as religiões foram tão livres para se instituírem, para concorrerem entre si e se multiplicarem. Vive-se uma livre concorrência entre os mais diversos tipos de organização religiosa (igrejas, seitas, cultos, centros, terreiros, ordens, denominações, comunidades, casas, redes, movimentos), as quais dialogam criticamente com a religião católica, ainda hegemônica no país.
O pluralismo religioso possibilita que o mercado concorrencial seja abastecido com uma variedade de ofertas religiosas (terapia corporal, mental e afetiva; cultos de reposição de energia; crença no poder dos cristais e de tantas outras formas de espiritualidades ou de manipulação de forças e energias), onde o melhor produto é aquele que cada adepto elege e consome como tal.
A pluralização é o rótulo de um tipo de sociedade que possibilitou os limites do desejo de escolha e de liberdade de preferências. No Brasil, aproximadamente um quarto da população adulta já teve a experiência do sentido da conversão e da adesão a uma outra religião, diferente daquela que herdou de seus pais.
A religião passa a interessar somente no sentido de seu alcance individual; aos poucos ela vai se reterritorializando na esfera do indivíduo e deste para a dinâmica das relações de consumo, vendo-se obrigada, agora, a ser regulada pelas regras do mercado.
A sociedade passa a recorrer à religião apenas festivamente, tendo em vista o aparecimento de formas religiosas que se apresentam como espetáculo. Aquela religião que era fonte de transcendência perdeu seu sentido; um outro tipo de religião que está preocupada com causas localizadas, reparos específicos, portanto, adquire expressão e relevância nos tempos atuais